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A poesia não serve para nada e ainda bem

Cristovam. Nasce em 1933, em Lisboa,  suicida-se em 1968, em Lisboa. Filho de Francisco Bugalho ( ele também Bugalho, Pavia era nom de plume), recomendava  suster o peso da hora, não vergar.  Podem encontrá-lo em 35 Poemas, Moraes Editora,  1959, mas eu encontro-o nisto:

 "Até as imagens  me são inúteis, porque contemplo tudo".
Vem isto a propósito dos incêndios sobre os incêndios. Nemésio é um matorral infinito. Nunca se lê tudo, nunca se tem tudo, nunca se encontra tudo ( eu pelo menos). Por exemplo, muito gostaria  de ver uma  cópia da carta escrita  a Virginia Woolf ( Março de 1937).
Um pedaço elegante,  contido , perfeito ( voz arredada faz chorar de tão bom), do Aldeia  Negra, uma aldeia como as que hão-de voltar :

Até que cinza seja
Nosso contorno puro
Como voz arredada,
E a serra nem se veja:
Primeiro, fosco; e escuro
Já na terra deixada.

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