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Identidade trocada

Diz  Morais Sarmento:

"As pessoas perderam a sua identidade nas sociedades modernas. É o artigo do Pacheco Pereira sobre o casal da outra margem, que é a história da colaboradora aqui de casa. Mãe de duas crianças, vive na Quinta do Conde, levanta-se às seis da manhã para pôr a tropa em marcha e chegar cá às nove, nove e meia. Sai daqui às cinco da tarde, demora duas horas a chegar lá, entre as 19 e as oito e meia faz o mesmo que fez cá em casa o dia todo porque não tem ninguém que o faça por ela, depois as crianças têm de comer, deitar-se, etc., e ela talvez tenha entre as dez e as dez e meia para existir, que se traduz em ser livre e poder escolher. Isto é a vida de nós todos: a dela na Quinta do Conde; a minha aqui, no escritório, na política, em Moçambique".

Tentar  perceber uma direcção política  passa também por conhecer o que pensam os principais conselheiros. Pelo meio de umas parábolas sobre o hardware  ( a Constituição)  e o software ( os partidos), o ex-ministro de Santana  Lopes faz a laboriosa equiparação acima  citada. A sua vida é, portanto, no essencial, igual à da sua empregada. Ou seja, a vida de uma empregada  doméstica  da Quinta do Conde é igual à vida de um associado da PLMJ com negócios em Moçambique.

É uma curiosa  linha de análise sociológica, com o tom certo de pessimismo objectivo  - as pessoas perderam a sua identidade nas sociedades modernas.

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